
Iluminação LED ATEX antideflagrante: zonas 1, 2, 21 e 22 explicadas
Classificação de zonas, categorias de equipamento e escolha de luminárias para atmosferas explosivas: o guia B2B completo sobre iluminação LED ATEX.
Nas atmosferas explosivas, o uso de luminárias antideflagrantes certificadas é uma obrigação legal: uma luminária LED normal não é opção. Este guia explica que zona ATEX se aplica à sua instalação, que categoria de equipamento e que modo de proteção são exigidos e como escolher a luminária certa.
- A ATEX distingue zonas de gases (0, 1, 2) e zonas de poeiras (20, 21, 22): a frequência da atmosfera explosiva define a zona.
- A zona 1/21 exige pelo menos a categoria 2G ou 2D; a zona 2/22 pelo menos a categoria 3G ou 3D.
- A classificação das zonas é feita pela entidade empregadora com base na NP EN IEC 60079-10-1/-10-2, não pelo fornecedor das luminárias.
- Modos de proteção como Ex e (segurança aumentada) ou Ex d (invólucro antideflagrante) definem como a luminária evita a ignição.
- A instalação e ligação de luminárias antideflagrantes a 230V/400V cabe exclusivamente a entidades instaladoras habilitadas, segundo a NP EN 60079-14 e as RTIEBT.
O que é a ATEX e qual é a base legal?
ATEX significa Atmosphères Explosibles e refere-se a duas diretivas da UE: a Diretiva de equipamentos 2014/34/UE (requisitos dos equipamentos) e a Diretiva de locais de trabalho 1999/92/CE (requisitos mínimos de proteção dos trabalhadores). Em Portugal, a primeira é transposta pelo Decreto-Lei n.º 111-C/2017 e a segunda pelo Decreto-Lei n.º 236/2003.
Todas as luminárias usadas numa zona perigosa têm de ser certificadas segundo a 2014/34/UE e marcadas em conformidade. A marcação CE por si só não basta. Quem usa luminárias não certificadas arrisca coimas e assume toda a responsabilidade em caso de acidente.
A par da certificação ATEX existe o equivalente internacional IECEx (série IEC 60079). Os produtos IECEx são reconhecidos fora da UE; dentro da UE aplica-se a ATEX. Muitos fabricantes têm as duas certificações.
Classificação das zonas ATEX: gases e poeiras
A classificação descreve com que frequência e durante quanto tempo se forma uma atmosfera explosiva num local. É a base de qualquer escolha de luminária. A entidade empregadora tem de definir e documentar as zonas no manual de proteção contra explosões previsto no Decreto-Lei n.º 236/2003.
| Zona | Substância | Frequência da atmosfera explosiva | Exemplos típicos | Categoria mínima |
|---|---|---|---|---|
| Zona 0 | Gases / vapores | Permanente ou por longos períodos | Interior de reservatórios, tubagens | Categoria 1G (EPL Ga) |
| Zona 1 | Gases / vapores | Ocasional | Cabinas de pintura, salas de bombas, armazéns de produtos químicos | Categoria 2G (EPL Gb) |
| Zona 2 | Gases / vapores | Rara e breve | Envolvente da zona 1, pistas de postos de abastecimento | Categoria 3G (EPL Gc) |
| Zona 20 | Poeiras | Permanente ou por longos períodos | Interior de silos, moinhos | Categoria 1D (EPL Da) |
| Zona 21 | Poeiras | Ocasional | Pintura a pó, moagens, armazéns de serradura | Categoria 2D (EPL Db) |
| Zona 22 | Poeiras | Rara e breve | Envolvente da zona 21, linhas de embalamento | Categoria 3D (EPL Dc) |
Importante: uma luminária de categoria 2G pode também ser usada na zona 2 (uma categoria superior é sempre admitida). Pelo contrário, uma luminária 3G não é admitida na zona 1.
Quem define a classificação das zonas?
A classificação das zonas é responsabilidade exclusiva da entidade empregadora que explora a instalação, não do fornecedor das luminárias nem do eletricista. A base técnica são a NP EN IEC 60079-10-1 (gases e vapores) e a NP EN IEC 60079-10-2 (poeiras).
Na prática, a classificação é muitas vezes feita por um técnico de segurança no trabalho, um engenheiro especializado ou uma empresa de consultoria. O resultado tem de ficar por escrito no manual de proteção contra explosões e ser atualizado sempre que a instalação muda.
Como comprador ou facility manager, deve conhecer a classificação das zonas antes de pedir uma luminária. Se o manual ainda não existir, consulte primeiro um especialista competente.
Modos de proteção: como evita a ignição uma luminária antideflagrante?
O modo de proteção descreve o princípio técnico pelo qual a luminária não pode inflamar uma atmosfera explosiva. Faz parte da marcação ATEX e é regulado pela série IEC 60079.
| Modo de proteção | Código | Norma | Princípio | Aplicação típica |
|---|---|---|---|---|
| Invólucro antideflagrante | Ex d | EN IEC 60079-1 | A explosão fica contida no invólucro | Zona 1, ambientes industriais severos |
| Segurança aumentada | Ex e / Ex eb | EN IEC 60079-7 | As fontes de ignição são eliminadas por construção | Zonas 1 e 2, luminárias LED |
| Segurança intrínseca | Ex i / Ex ia | EN IEC 60079-11 | A energia é limitada para que a ignição seja impossível | Sensores, comandos |
| Modo «n» / equipamento sem faíscas | Ex nA / Ex ec | EN IEC 60079-15 | Sem faíscas em funcionamento normal | Só zona 2 / zona 22 |
| Sobrepressão interna | Ex p | EN IEC 60079-2 | Um gás de proteção impede a entrada da atmosfera | Quadros de comando, instalações especiais |
Para luminárias LED nas zonas 1 e 2, Ex eb (segurança aumentada) é hoje um modo de proteção muito difundido. Permite invólucros compactos e leves e combina bem com os drivers LED modernos.
Ler e compreender a marcação ATEX
Todas as luminárias antideflagrantes certificadas têm uma marcação normalizada. Um exemplo prático:
II 2G Ex eb IIC T5 Gb
- II: grupo II (instalações de superfície, não minas)
- 2G: categoria 2, gases (adequada às zonas 1 e 2)
- Ex eb: modo de proteção por segurança aumentada
- IIC: grupo de explosão C (por exemplo hidrogénio; o mais exigente; IIA = p. ex. propano, IIB = p. ex. etileno)
- T5: classe de temperatura, temperatura superficial máxima de 100 °C
- Gb: nível de proteção adequado à zona 1 (Gb = gases, nível elevado)
Para zonas de poeiras, um exemplo típico é II 2D Ex tb IIIC T80°C Db IP66. Aqui «D» indica poeiras, «tb» a proteção por invólucro e «IIIC» as poeiras condutoras (o grupo mais exigente).
Casos por setor: que luminária para que zona?
Cabina de pintura (zona 1)
Nas cabinas de pintura, os vapores de solventes criam regularmente atmosferas explosivas. O interior da cabina é muitas vezes classificado como zona 1; a classificação exata é definida pela entidade empregadora consoante as substâncias e a ventilação. No mínimo é precisa a categoria 2G com modo de proteção Ex eb ou Ex d.
Segundo a NP EN 12464-1 recomendam-se pelo menos 750 lux na zona de trabalho; os especialistas recomendam valores mais altos para detetar defeitos de pintura. As luminárias em plástico não são adequadas, porque os resíduos de tinta não se removem sem deixar marcas. As luminárias adequadas têm corpos lisos, resistentes aos solventes, em alumínio ou aço inox, e IP66.
Na pintura exige-se muitas vezes uma construção isenta de silicone, porque os resíduos de silicone causam defeitos (crateras, olhos de peixe). Peça ao fabricante uma declaração explícita de ausência de silicone.
Armazéns de produtos químicos e salas de bombas (zona 1 / zona 2)
Nos armazéns de produtos químicos a classificação depende das substâncias e da ventilação. Muitas vezes o armazém geral é zona 2 e a zona junto aos pontos de trasfega ou às bombas é zona 1. As luminárias adequadas são campânulas LED robustas com certificação Ex eb, IP66 e IK10.
Para a iluminância, a NP EN 12464-1 prevê um valor mantido (Em) de pelo menos 200 lux nas estantes e 300 lux no embalamento e expedição. As nossas luminárias LED antideflagrantes ATEX estão disponíveis para as duas zonas.
Instalação de pintura a pó (zona 21)
As instalações de pintura a pó geram nuvens de poeira combustível. A zona da cabina é tipicamente zona 21; a envolvente pode ser zona 22. É precisa a categoria 2D com modo de proteção Ex tb e IP6X (estanque ao pó). A classe de temperatura tem de ser inferior à temperatura mínima de ignição do pó usado.
Refinaria e posto de abastecimento (zona 2)
No exterior das refinarias e junto às bombas dos postos de abastecimento aplica-se muitas vezes a zona 2. Aqui são admitidas luminárias de categoria 3G com um modo de proteção adequado (por exemplo Ex ec). No exterior contam também a resistência UV e a proteção contra a corrosão (corpos em aço inox ou alumínio lacado). Os nossos projetores EX são pensados para estas aplicações.
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As nossas campânulas LED certificadas ATEX estão homologadas para as quatro zonas (1, 2, 21, 22), com IP66 e 5 anos de garantia, com entrega em 14 dias úteis.
Lista de verificação de conformidade para exploradores e compradores
Antes de encomendar uma luminária antideflagrante convém esclarecer estes pontos. A lista não substitui aconselhamento jurídico, mas dá uma orientação estruturada para a compra.
- Existe o manual de proteção contra explosões? Obrigatório segundo o Decreto-Lei n.º 236/2003; sem ele não há classificação de zonas válida.
- Zona corretamente definida? Gases (zona 0/1/2) ou poeiras (zona 20/21/22), segundo a NP EN IEC 60079-10-1 ou -10-2.
- Categoria adequada? Zona 1/21 → mín. cat. 2G/2D; zona 2/22 → mín. cat. 3G/3D.
- Grupo de explosão verificado? IIC (por exemplo hidrogénio) é o mais exigente e cobre também IIA e IIB.
- Classe de temperatura suficiente? A temperatura superficial máxima da luminária tem de ser inferior à temperatura mínima de ignição do gás ou da poeira.
- Grau IP suficiente? Pelo menos IP65 em interiores, IP66 com jatos de água e no exterior; IP6X nas zonas de poeiras. Mais em Graus de proteção IP.
- Isenta de silicone na pintura? Obtenha confirmação escrita do fabricante.
- Instalação por entidade habilitada? A ligação e montagem a 230V/400V cabe exclusivamente a entidades instaladoras habilitadas, segundo a NP EN 60079-14 e as RTIEBT, cumprindo as regras de segurança.
- Inspeções periódicas previstas? Os equipamentos antideflagrantes têm de ser inspecionados regularmente (inspeção inicial antes da entrada em serviço, inspeções periódicas segundo a NP EN 60079-17 e as indicações do fabricante).
- Projeto de iluminação feito? Para cabinas de pintura (mín. 750 lux) e armazéns (valores mantidos segundo a NP EN 12464-1) recomendamos um cálculo DIALux.
ATEX e IECEx: qual é a diferença?
ATEX (2014/34/UE) é a diretiva vinculativa para o mercado europeu. Qualquer produto usado em atmosferas explosivas na UE tem de ser conforme à ATEX.
IECEx é um sistema de certificação internacional baseado na série IEC 60079, reconhecido fora da UE (por exemplo Austrália, África do Sul, Médio Oriente). Muitos fabricantes têm as duas certificações, porque os requisitos técnicos são em grande parte os mesmos.
Para instalações em Portugal e na UE aplica-se a ATEX. A IECEx é um indicador de qualidade, mas não substitui a marcação ATEX.
Iluminância nas zonas Ex: valores de referência
Os requisitos de iluminância aplicam-se independentemente da proteção antideflagrante e têm de ser cumpridos em acumulação. A referência é a NP EN 12464-1, a par da Portaria n.º 987/93 sobre locais de trabalho. Os valores da norma são iluminâncias mantidas (Em).
Para uma visão completa ver Quantos lux são necessários? Para as zonas Ex, os valores chave são:
- Cabina de pintura (zona de trabalho): pelo menos 750 lux
- Armazém (vias de circulação): Em = 100 lux
- Armazém (estantes): Em = 200 lux
- Embalamento e expedição: Em = 300 lux
- Laboratório químico / zona de controlo: Em = 500 lux
Um projeto DIALux profissional garante que os valores são cumpridos em toda a área, mesmo com geometrias desfavoráveis ou grandes alturas de montagem. Fazemo-lo gratuitamente para o seu projeto.
Luminárias para zonas adjacentes sem requisitos Ex
Nem todas as zonas de uma fábrica são zonas Ex. Em armazéns, oficinas e produção sem atmosfera explosiva, as luminárias estanques LED de qualidade com IP65 ou mais são a escolha mais económica. Para aplicações lineares em armazéns recomendamos as nossas luminárias estanques de 150 cm ou de 120 cm.
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Perguntas frequentes sobre ATEX e iluminação LED antideflagrante
Posso usar uma luminária LED normal na zona 2?
Não. Na zona 2 só são admitidas luminárias certificadas ATEX de categoria 3G (ou superior). As luminárias LED normais sem certificação antideflagrante não são admitidas em nenhuma zona Ex, seja qual for o grau IP ou a construção. Usar equipamentos não certificados é uma infração e, em caso de acidente, a entidade empregadora pode responder por inteiro.
Que zona ATEX se aplica à minha cabina de pintura?
O interior de uma cabina de pintura é muitas vezes zona 1, porque podem ocorrer ocasionalmente vapores de solventes em concentrações inflamáveis. A classificação exata é definida pela entidade empregadora consoante as substâncias, a ventilação e a NP EN IEC 60079-10-1, e registada no manual de proteção contra explosões. Em caso de dúvida, consulte um especialista competente.
Qual é a diferença entre zona 1 e zona 2?
A zona 1 abrange áreas onde pode ocorrer ocasionalmente uma atmosfera explosiva de gases ou vapores. A zona 2, áreas onde isso acontece só raramente e por pouco tempo. A zona 1 exige a categoria 2G; a zona 2 pelo menos a 3G. Uma luminária 2G é admitida também na zona 2.
O que significa a marcação ATEX «II 2G Ex eb IIC T5 Gb»?
«II» é o grupo II (instalações de superfície). «2G» indica a categoria 2 para gases, adequada às zonas 1 e 2. «Ex eb» é o modo de proteção por segurança aumentada. «IIC» o grupo de explosão C (o mais exigente, por exemplo hidrogénio). «T5» a classe de temperatura com máximo superficial de 100 °C. «Gb» o nível de proteção para a zona 1.
Que grau IP precisa uma luminária antideflagrante?
Em interiores o standard é pelo menos IP65. Com jatos de água, instalações de lavagem ou montagem exterior recomenda-se IP66 ou IP67. Nas zonas de poeiras (21/22) é preciso IP6X (proteção total contra o pó). Mais em Graus de proteção IP.
Qual é a diferença entre ATEX e IECEx?
A ATEX (2014/34/UE) é a diretiva vinculativa para o mercado europeu. A IECEx é um sistema de certificação internacional baseado na série IEC 60079 e reconhecido fora da UE. Ambos assentam em requisitos técnicos semelhantes. Em Portugal e na UE a ATEX é obrigatória; a IECEx é um indicador de qualidade adicional, mas não a substitui.
Quem pode ligar e montar luminárias antideflagrantes?
Só entidades instaladoras habilitadas, com técnicos qualificados para atmosferas explosivas, podem ligar e montar luminárias antideflagrantes a 230V ou 400V. Aplicam-se a NP EN 60079-14, as RTIEBT e as regras de segurança (desligar, impedir a religação, verificar a ausência de tensão, ligar à terra e curto-circuitar, proteger as partes ativas vizinhas). Estes trabalhos não podem ser feitos por pessoal não qualificado.
As luminárias isentas de silicone são obrigatórias na pintura?
Não há obrigação legal, mas muitas empresas de pintura e construtores automóveis (especificações OEM) exigem-nas. Os resíduos de silicone causam defeitos como crateras ou olhos de peixe. Para cabinas de pintura recomendamos pedir ao fabricante uma declaração escrita de ausência de silicone.
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